domingo, 24 de outubro de 2010

Notícia Tempo de Medicina 25/10/2010



Candidatura de Francisco Rolo ao CRC defende uma OM mais interventiva



«A Ordem tem de recuperar o poder»

Francisco Rolo, urologista dos HUC, apresentou no passado dia 20 os objectivos da sua candidatura ao Conselho Regional do Centro (CRC) da Ordem dos Médicos (OM), assente numa perspectiva de mudança.
«A Ordem não se tem constituído nos últimos anos como poder», tendo perdido a «capacidade de influenciar» decisões e medidas em saúde, na defesa dos médicos e dos doentes, declarou Francisco Rolo, candidato a presidente do Conselho Regional do Centro (CRC) da Ordem dos Médicos. Numa conferência de Imprensa (que teve lugar no passado dia 20, na Ordem dos Médicos, em Coimbra) em que apresentou os 10 pontos essenciais da sua candidatura, o urologista dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), considerou que a Ordem «tem perdido prestígio» e defendeu uma «mudança na forma de trabalhar», com uma atitude mais pró-activa e posições bem definidas.
«Não passa pela cabeça de ninguém que andem os deputados na Assembleia da República a discutir se prescrevemos azul ou vermelho. É possível reconquistar esse poder. Se não nos mostrarmos pró-activos, nomeadamente nos sistemas de monitorização e de controlo da qualidade, vai-nos ser retirado espaço de actuação», declarou, lembrando o que os estatutos da OM dizem sobre estas matérias.
Sob o lema «A Ordem somos todos», a candidatura pretende chamar «todos aqueles que têm estado afastados» da OM, apelando à participação global dos médicos nas suas decisões mais importantes, conforme sublinhou Américo Figueiredo, dermatologista dos HUC e mandatário regional, lembrando que «só cerca de 40% dos inscritos votam habitualmente».
Defender a necessidade de uma qualificação profissional médica para a prática de todo e qualquer acto médico, assegurar que a actualização e a valorização profissional são incluídas nas condições contratuais dos médicos, contribuir para o ajustamento do número de vagas de ingresso nas faculdades e nas diversas especialidades às reais necessidades do País e incentivar a criação de um sistema de notificação de erro em Medicina são alguns dos objectivos a que a candidatura liderada por Francisco Rolo se propõe para os três anos de mandato.

Fusão de hospitais

Luís Filipe Silva, que se candidata a presidente do conselho distrital de Coimbra, sublinhou o facto de a lista ter um grande número de médicos jovens ou que nunca tinham estado envolvidos em estruturas da Ordem, conscientes de que é preciso mudanças para enfrentar este «período crítico». Referindo-se à anunciada fusão dos três hospitais de Coimbra — HUC, Centro Hospitalar de Coimbra (CHC) e Centro Hospitalar Psiquiátrico —, o otorrinolaringologista do CHC admitiu que «os médicos estão inquietos» e considerou fundamental a participação dos profissionais no processo de incorporação das unidades num megacentro hospitalar.
A propósito desta e de outras medidas de redução de custos na Saúde, Francisco Rolo considerou que «podem não produzir qualquer efeito, se não forem bem estudadas». De qualquer forma, entende que esta decisão pode constituir uma oportunidade para Coimbra se afirmar como um centro de excelência em Saúde».
Joaquim Murta, candidato a presidente da mesa da assembleia regional, José Manuel Nascimento Costa, candidato a presidente do conselho fiscal, e Frederico Valido, candidato a presidir ao conselho disciplinar, são alguns dos médicos que integram a lista de Francisco Rolo, que tem Duarte Nuno Vieira como delegado regional da candidatura. A lista «A Ordem somos todos» não apoia nenhum candidato a bastonário. «Trabalharemos com aquele que os médicos elegerem», disse Francisco Rolo.



Boas práticas reduzem custos

Os médicos e a Ordem têm um peso importante na redução dos custos, algo que, no entender de Francisco Rolo, os decisores políticos esquecem muitas vezes. «Conseguimos diminuir custos na Saúde através de boas práticas médicas e é aí que a OM tem um papel fundamental, cabendo-lhe criar os meios necessários de controlo da qualidade da Medicina», declarou.
De acordo com o candidato ao CRC da OM, a prescrição de medicamentos e de meios auxiliares de diagnóstico — que, sendo elevada, é atribuída a uma necessidade de o médico se defender do erro — é, muitas vezes, influenciada pela organização do trabalho, os recursos humanos do serviço e o tempo que o médico tem para dedicar a cada doente.
No que se refere à recentemente aprovada prescrição por DCI, Francisco Rolo notou que «cerca de 60% dos médicos» não trancam as receitas, ou seja, «já autorizam a substituição do medicamento». No seu entender, «a prescrição por princípio activo não vai baixar a despesa», já que os gastos elevados surgem com o consumo de medicamentos novos, ainda protegidos pela patente. «Se querem poupar dinheiro têm de fazer um estudo e uma lista dos 10 ou 20 culpados que fazem disparar os gastos com medicamentos. É aí que têm de actuar», acrescentou.
O candidato alertou também para os riscos que esta nova legislação vai acarretar para a saúde pública, em especial quando estiverem em causa medicamentos de doentes crónicos: «Pessoas normalmente idosas, que tomam já outros medicamentos e que agora vão estar sujeitas ao comércio farmacêutico, num mês vão buscar um comprimido azul e no mês seguinte já é vermelho ou triangular.»
O mandatário regional da candidatura, Américo Figueiredo, recordou que mesmo «os genéricos não são todos iguais entre si» e que «a mudança de um para outro altera a expectativa terapêutica». Ou seja, «o doente que comece a tomar um genérico deve tomá-lo até ao fim» e não estar a mudar consoante o que lhe oferecerem na farmácia.

TEMPO MEDICINA 1.º CADERNO de 2010.10.25

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